Resenha – Memórias de um Anarquista Japonês

Hey hey… aproveito o dia para duas coisas: testar a publicação de posts programados e começar a fazer resenhas de livros relacionados ao universo japonês!

E para começar, escolhi um livro que julgo ser razoavelmente desconhecido, mas deveras interessante: Memórias de um Anarquista Japonês.

Devo confessar que nunca tinha ouvido falar em Osugi Sakae, e também nunca tive (e, sinceramente, ainda não tenho) nenhuma curiosidade especial acerca do pensamento anarquista. O que me levou a comprar este livro foi seu título, o qual achei inusitado, e um preço beeeeem baixo (adquiri numa feira de livros)!

Como vocês podem ver pela capa, trata-se de um livro publicado pela Conrad, e devo agradecer a editora por trazer títulos tão diferentes! Vamos ao que interessa:

“No movimento operário japonês do início do século XX, ninguém conquistou a imaginação do público de modo tão vivo quanto Osugi Sakae (1885-1923). Com sua vida flamejante, e sua morte dramática, Osugi passou a ser visto como um herói romântico que combatia a opressão da família e da sociedade. Sua autobiografia oferece um raro vislumbre dos anos de formação de um rebelde japonês.”

Este é o texto que temos nas “costas” do livro. Como podem perceber, trata-se de uma autobiografia, e o que mais me agradou no livro foi o fato de que o autor (Osugi) não se retrata como uma vítima do sistema ou algo do tipo. Ele tem plena consciência de seus erros e acertos, e assim, nas diversas vezes em que vai para a cadeira, não se lamenta, apenas compreende que é assim que as coisas funcionam naquela época…

Sobre o movimento anarquista (e a mobilização dos trabalhadores) em si, o livro traz poucas referências, se concentrando nos anos iniciais de Osugi e em alguns episódios que foram fundamentais para sua (assim chamada) “rebeldia”. Neste caso, o que mais incomodava o autor era a repressão da sociedade japonesa no início do século XX, tanto em relação aos costumes sociais, quanto à forte e marcante presença militar. Vale lembrar que neste período o Japão promoveu uma série de conflitos com a China, Coréia e Rússia.

Outro ponto que me chamou atenção se refere a denominação de Osugi como o “anarquista erótico”, dada a dimensão pública que sua vida sexual e amorosa acabou ganhando. Isto se deve tanto ao fato de Osugi, enquanto casado, ter mantido duas amantes, ambas envolvidas em movimentos políticos e com a imprensa clandestina, quanto por ter mantido relações homossexuais enquanto aluno de um colégio militar.

Finalmente, o elemento que, para mim, realmente fez valer a pena a leitura deste livro, foi a descrição da sociedade japonesa, e dos conflitos de valores envolvidos, por alguém que vivia o “lado B” da situação. Alguém sem visões demasiadamente românticas, em uma perspectiva quase crua. Por exemplo, naquele período, no Japão, uma das atitudes mais radicias era ser católico… outro momento que me pareceu icônico deste conflito de valores é aquele em que Osugi é expulso do colégio militar… e, quase no auge de sua violência, indignação e rebeldia, ele promete a si mesmo se tornar um grande homem para apagar a desonra de ter sido expulso. Ou seja, apesar de ser rebelde, se mostrou bastante apegado a alguns valores tradicionais japoneses, como a honra.

Enfim, realmente indico a leitura deste livro, sobretudo para aqueles que jamais ousam pensar “fora do quadrado”… afinal, o que é realmente ruim para o ser humano, um caos libertador ou uma ordem asfixiante?

See ya!

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