Do tempo em que Final Fantasy era bom…

Alô alô criançada! (alguém aqui lembra do Bozo, o palhaço drogado? XD)… voltando ao tema do post, falarei um pouco sobre Final Fantasy, mais precisamente sobre alguns equívocos, e a situação em que a marca se encontra hoje.

Para os fãs de J-RPG ou apenas para aqueles que gostam de jogos com bons enredos e personagens, poucas coisas têm sido tão decepcionantes como os últimos jogos da franquia de RPG mais famosa de todos os tempos: Final Fantasy.

Sinceramente, eu duvido que qualquer gamer, em sã consciência, consiga questionar a supremacia da Square nos RPGs durante os anos 1990 (e início dos anos 2000, com o Final Fantasy IX). E porque isso ocorreu? Bom, acredito que seja impossível explicar este contexto com poucos fatores, mas eu destaco alguns:

1) Os videogames estavam realmente começando, então praticamente tudo era novidade, havia muito espaço para inventar coisas novas, afinal não existia uma tradição do tipo “isso dá certo e aquilo não”.

2) Enredos cativantes, personagens idem e mundos gigantescos para explorar.

3) Gráficos excelentes, sobretudo as CGs. Isso parece não ter importância hoje, mas na época do PSOne, aquelas CGs bem feitas pareciam mágica aos olhos dos jogadores mais imaginativos XD

4) Mecânicas de jogo empolgantes! Por mais que as vezes fosse necessário passar horas e horas e upando, os jogos continham muitos itens e armas secretos, minigames e coisas do tipo para que se mantivessem interessantes.

Desde o Final Fantasy I até o IX tivemos o período de ouro dos J-RPGs (foi nessa época que também tivemos Legend of Mana, Breath of Fire, Chrono Cross, Chrono Trigger entre inúmeros outros títulos fantásticos). Na minha opinião o título que realmente consolidou a série foi o Final Fantasy IV, principalmente pelo design das batalhas e dos jobs, além da dificuldade estupidamente fascinante que esse jogo possui…

O que explica, então, a queda na qualidade dos jogos da franquia, o desânimo de milhares de fãs e falta de confiança e expectativa nos novos títulos? Não é difícil encontrar, em blgos e fóruns, comentários de gamers que simplesmente não confiam mais na Square e não sabem o que esperar.

Final Fantasy X e Final Fantasy X-2 – O princípio do fim…

Não há dúvidas sobre o papel revolucionário que o FF X representou, afinal era o primeiro jogo da franquia na geração passada, com novas possibilidades gráficas e de dublagem dos personagens. Neste sentido, podemos dizer que estes títulos foram bem sucedidos. Aliás, acredito que nenhum episódio da franquia possa ser acusado quanto aos recursos gráficos empregados.

Contudo, estes jogos estão longe de ser unanimidade, e para isso destacam-se a linearidade do FF X (obrigando o jogador a seguir um caminho pré-determinado pelos mapas) e o sistema de missões do FF X-2. Aliás, tudo que você espera de um Final Fantasy, você não encontra no FF X-2… então já podem imaginar o impacto que ele teve. Assim, apesar de firme, a estréia no PS2 poderia sido melhor, sobretudo se não tivessem inventado uma seqüência direta que só conseguiu denegrir o nome da franquia.

Final Fantasy XI – O mais obscuro… Sinceramente, nunca joguei o este título, mas, por tudo que vi e li, parece ter deixado um pouco a desejar. Ele representa o desejo da Square de se consolidar no mundo dos RPGs online, e para isso ela utiliza seu principal título. O lançamento foi lento, mas o jogo engrenou e conquistou uma base sólida de jogadores/ assinantes. E é possível encontrar muitos elementos tradicionais como os jobs e sidequests.

Como já podem imaginar, teve pouquíssima repercussão no Brasil, uma vez que os requisitos de rede e placa de vídeo, naquela época, estavam além do que era comum à maioria dos gamers. Embora tenha se saído bem, o título desagradou muito pela demora necessária ao desenvolvimento de cada personagem. Caso queira jogar, prepare-se para dedicar alguns bons meses upando… tudo no jogo é muito extenso e demorado, desde as caminhadas aos minigames. No fim das contas, parece ter sido um jogo que não contribuiu para a série principal.

Final Fantasy XII – Um suspiro de alívio…

O FF XII surge como o último título da geração passada e, além de marcar o retorno da aposta online para as plataformas, tem a missão de superar o fiasco de FF X – 2.  E, felizmente, podemos dizer que cumpriu o seu papel! Além de tudo, ainda temos a despedida de Nobuo Uematsu como compositor da série principal e a entrada do Hitoshi Sakimoto. Ah sim, FF XII também foi o único da geração passada a receber nota máxima na Famitsu (embora muitos fãs discordem disso).

A história se passa no Mundo de Ivalice (o mesmo de Tactics, Tactics Advance e Vagrant History) e traz muitos elementos desses outros jogos, o que para mim, fã de Tactics, é algo realmente motivador. Com gráficos excelentes, uma bela trilha sonora, um sistema de batalhas dinâmico (não existem mais turnos, e também não se muda de tela para o combate, os inimigos estão no mapa, em tempo real), inúmeras sidequests e a liberdade de explorar o mundo da forma que quiser, fazem com que seja de fato um grande jogo. Posso dizer com convicção que é um dos meus RPGs preferidos, mas peca em dois aspectos: enredo e personagens. Na minha opinião (e de outros gamers em fóruns), o enredo é fraco e previsível, e o mesmo acontece com os personagens principais, mas isso não é o suficiente para prejudicar a imagem do jogo, sobretudo tendo em mente o contexto do qual falamos.

Final Fantasy XIII  e suas 25 horas em corredores…

Eis que a série chega à atual geração de consoles, e não é preciso dizer toda a expectativa que existe em torno de seus títulos, sobretudo tendo em vista o potencial gráfico disponível e o anúncio do primeiro título da série principal a ser multiplataforma.  E assim, após longos anos de espera, FF XIII conseguiu decepcionar a todos, tanto da crítica quanto dos jogadores.

Ah… mas não existem pontos positivos no jogo? Sim, claro que existem: os gráficos são belíssimos, os personagens são interessantes e carismáticos e o enredo foge um pouco do clichê, embora ainda mantenha traços tradicionais e previsíveis. Porém… a linearidade matou o jogo, assim como seu sistema se evolução e sidequests. Imaginem um jogo com aproximadamente 40 horas de duração, sendo que 30 dessas horas são obrigatoriamente jogadas em linha reta (literalmente falando!). Embora os ambientes mudem, a dinâmica permanece. Praticamente não há exploração, não há cidades ou minigames, então o jogador se vê forçado a seguir em frente e derrotar os inimigos… preciso comentar a falta de desafio / motivação que isto representa?

Por si só, esta característica torna o jogo maçante e implode uma das principais características da série: liberdade de exploração e evolução. Pois, além dos corredores infinitos, o sistema de evolução (o Crystarium) só se torna plenamente acessível após cerca de 12 horas de jogo… E, por incrível que pareça, a única área aberta do jogo (Gran Pulse) se mostra apenas como local de treinamento, para que os personagens evoluam antes de encararem a última parte do jogo. Por fim, as sidequests também se tornam disponíveis apenas quando estamos no fim do jogo… e não apresentam um sistema particularmente atraente.

Final Fantasy XIV – O fundo do poço… 

Pode parecer absurdo afirmar que uma das maiores franquias dos videogames chegou ao fundo do poço, mas tenho argumentos para isso. Primeiro: por se tratar do jogo posterior ao FF XIII, deveria, no mínimo, levantar o nome da marca. Segundo: tanto o IGN, quanto o Metacritic e mesmo a Famitsu classificaram o jogo com péssimas notas (segundo a IGN, é medíocre). Terceiro: após um lançamento turbulento, perda de clientes e um prejuízo absurdo em seus seis primeiros meses, toda a equipe de produção de FF XIV foi demitida!

Acredito que estes argumentos sejam suficientes para provar a minha afirmação. Há ainda a famosa declaração do presidente da Square, Yoichi Wada, de que este título foi o maior fracasso da história da empresa. Recentemente ele declarou: ““A marca Final Fantasy foi bastante danificada”. Depois, ele completou dizendo que “As reformas que a Square Enix está fazendo no jogo irão continuar, e isso equivale a refazer totalmente o jogo”. Ao concluir, Wada disse que espera reviver o Final Fantasy XIV que deveria ter sido lançado.” (Fonte: finalfantasy.com.br).

Enfim, a interface proposta foi considerada confusa, os jogadores não tinham como saber quais os próximos pontos do jogo, o sistema de trocas era falho (incluindo a perda inexplicável de itens e armas) e etc… basicamente foi um tiro no pé…

Final Fantasy XIII-2 – A promessa de redenção…

Bom, depois de dois fracassos comerciais e de crítica, FF XIII-2 tem uma missão difícil pela frente… ainda mais tendo em conta o fiasco que foi a única continuação direta que tivemos (FF X-2) e o fato de que a equipe de produção é a mesma que da seqüência anterior. Ou seja, dá para confiar?

Penso que não, embora eu esteja bastante ansioso e um pouco otimista com o resultado deste jogo. Minhas razões para isso são as entrevistas dos produtores, nas quais anunciam que todas as modificações realizadas foram baseadas nas principais críticas ao FF XIII, ou seja: fim da linearidade, maior liberdade do sistema de evolução dos personagens, sidequests desde o início do jogo e muita exploração. Se realmente cumprirem o que afirmam, o título tem tudo para dar uma guinada positiva na marca, assim como o fez Final Fantasy XII.

Mas, como já comentamos, o clima geral é de desconfiança, nos resta, portanto, esperar o lançamento (que será agora no fim de 2011) e verificar se a Square realmente sabe se redimir ou se teremos mais um grande equívoco…

O que vocês esperam?

See you next…

P.s: desculpem o post longo…. mas o assunto me empolga XD

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1 comentário

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Uma resposta para “Do tempo em que Final Fantasy era bom…

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